Por: Xico Gonçalves

Existem camisetas com estampas tão mitológicas que desafiam a moda e costumes e insistem em se manter em uso com personalidade própria.

Conheça as cinco estampas mais usadas no mundo

Estampa Che Guevara
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A estampa mais usada do mundo enfeita há mais de meio século milhões de camisetas.

A imagem é baseada na foto “Guerrillero Heroico”, feita no dia cinco de março de 1960 em Havana, Cuba, pelo fotógrafo Alberto Korda, que capturou o clássico portrait de Ernesto Guevara, mais conhecido como “El Che”, em um serviço memorial para as vítimas da explosão de La Coubre.

Korda comentou que no momento que tirou a foto, foi atraído para a expressão facial de Guevara, que mostrou “implacabilidade absoluta, bem como raiva e dor”.

Guevara tinha 31 anos no momento da foto (morreu com 36 anos).

O homem por trás desta imagem foi um guerrilheiro político, jornalista, escritor e médico argentino que ajudou Fidel Castro na tomada de Cuba.

Che chic

Não se sabe quando a imagem foi usada pela primeira vez como design de moda.

Como elemento artístico a imagem pintou inicialmente em 1967, em uma série de cartazes feitos pelo artista irlandês Jim Fitzpatrick.

A banda de rap-metal norte-americana “Rage Against the Machine”, (abriu o Lollapalooza em 1993), uma das mais influentes e polêmicas da década de 1990 usou esta imagem como símbolo de rebeldia.

Estampa “I Love New York”
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O logotipo mega usado em camisetas legítimas e genéricas foi base de uma campanha de publicidade para promover o turismo na cidade de Nova York.

O logotipo tem marca registrada, e é propriedade do Departamento de Estado de Desenvolvimento Econômico de Nova York.

O desenho de linhas simples consiste de uma letra maiúscula, seguido de um coração vermelho, e as letras maiúsculas N e Y.

Em 1976, William S. Doyle, Comissário Adjunto do Departamento de Estado de New York de Comércio contratou a agência de publicidade Wells Rich Greene para desenvolver uma campanha de marketing para o estado de Nova York.

Doyle também recrutou Milton Glaser, um famoso designer gráfico para trabalhar nesta campanha.

O rascunho original de Glaser foi concebido em um táxi, influenciado pela imagem pop arte “Love” de Robert Indiana.

Glaser imaginava que a campanha duraria apenas algumas semanas e trocou sua criação por bonus, mas o ícone pop art virou um grande sucesso e continua a ser o simbolo da cidade até hoje.

O esboço original e as placas de apresentação criadas por Glaser foram doados por Doyle para a coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York.

A imagem foi reativada após o os atentados de 11 de setembro para gerar uma sensação de unidade entre o povo. Muitos turistas compraram e vestiram as camisas “I Love NY” logotipo como sinal de apoio. Glaser até criou uma versão modificada para registrar os ataques, com uma pequena mancha preta no coração simbolizando o World Trade Center com a mensagem “I Love New York More Than Ever”.

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Este desenho de linhas simples e mensagem objetiva se transformou no mais popular e mais copiado da história das t-shirts e foi adaptado para muitas cidades do mundo (“I Love Paris, I Love Sydney”) com a mesma eficácia.

A grife italiana Dolce & Gabanna estampou a imagem nas camisetas da coleção primavera-verão 2002 colocando a mensagem no auge da moda.

Estampa Smile

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Sinônimo de simpatia e otimismo, o rosto amarelo sem nariz com olhos negros ovais e boca sorridente estampa muitos cadernos, camisetas, adesivos e até símbolos de redes de supermercados como o Walmart.

Em 1972 Marc Bolan, vocalista da banda T.Rex vestiu a estampa em uma camiseta na capa da revista “Superhebdo Pop Music”. Seus fãs adotaram imediatamente o estilo.

A partir de 1988 serviu de símbolo da Acid Music e das drogas sintéticas e nos tempos de internet se transformou em emoticons, ícone de “satisfação” (like) e ganhou outras facetas.

De acordo com o filme “Forrest Gump: O contador de histórias”, o símbolo Smiley teria surgido por acaso quando o personagem-título limpa a lama do rosto com uma camiseta colorida.

Ele ainda diz “Have a Nice Day” (“tenha um bom dia”), slogan frequentemente usado com a carinha sorridente.

Mas a história não é bem essa

Existem duas versões sobre a verdadeira origem do Smiley.

A primeira conta que, em 1963, o artista gráfico americano Harvey Ball (foto abaixo) foi contratado para criar um símbolo para uma empresa de Massachusetts.

O objetivo era que os funcionários sorrissem mais para os clientes.

O designer afirmava ter criado o rosto em menos de 10 minutos e recebido 45 dólares pelo trabalho. Nem ele, nem a empresa que o contratou registraram a marca.

Nos anos 1970, em plena era hippie, o símbolo virou ícone mundial.

Pintou em pôsteres, adesivos e até em um selo do correio americano.

Amarelo como cor de fundo por ser o tom da primavera, do sol. Imagem de uma felicidade radiante, sem nuvens.

O Smiley foi o símbolo “feelgood” perfeito para momentos da história com novas ideias de liberdade, hedonismo e experimentação.

A segunda versão da história

O francês Franklin Loufrani registrou o rostinho amarelo e o nome “Smiley” como se fossem de sua autoria.

Afirmou ter criado durante as passeatas estudantis de 1968 como um modo simples de dar notícias em qualquer idioma.

A marca Smiley Company existe até hoje em cerca de cem países e vende produtos licenciados com a imagem em 25 categorias como roupas, sapatos e cadernos.

Na moda sempre estampou camisetas de todo tipo, mas subiram pela primeira vez nas passarelas no final dos anos 1980 na coleção do italiano Franco Moschino.

Em 2001 John Galliano estampou o “smiley” tipo chique nas camisetas versão luxo da Christian Dior, uma das grifes mais conceituadas do universo da moda.

Estampa Boca do Mick Jagger

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No dia 30 de março de 1971, uma coletiva de imprensa foi realizada onde foi apresentado oficialmente o novo selo – o Rolling Stones Records.

Uma das atrações da noite foi à apresentação do novo logotipo e símbolo do selo, uma boca bem vermelha e carnuda com a língua de fora (inicialmente em um fundo amarelo).

Conta à lenda que a famosa marca dos Stones foi criação do não menos famoso Andy Warhol.

Mas a criação é do artista americano Ruby Mazur, que cobrou $10.000 pela arte (algumas publicações dão a autoria a John Pash).

Embora a associação imediata que se tem é com a boca de Mick Jagger, a inspiração de Mazur vem de uma conversa com o próprio Jagger que chama sua atenção para a língua de Kali, Deusa Hindu da criação, vida e destruição.
Os Rolling Stones fariam do desenho uma mina de dinheiro graças uso maciço de merchandising.

Em 1972, a firma Rolling Stones pagou 200 libras extras para Mazur por conta do sucesso da boca.
A estampa da famosa boca hoje em dia já virou sucesso na moda.

E além de ser muito pop é símbolo de uma banda, a Rolling Stones, com a maior permanência como grupo da história do rock.

Se esta banda é mitológica, imagine a imagem que a representa.

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A criação dos maiores ícones estampados em camisetas surgiram de atitudes sem grandes expectativas. O seu desenho personalizado também pode virar uma lenda como estas descritas na matéria. Não custa tentar.