Não importa se a camiseta é de propaganda, marketing, de blocos carnavalescos, profissional ou de lazer.
Ao vestir uma delas você estará passando uma mensagem ou um sonho para as pessoas em volta.
As camisetas se tornaram veículos de divulgação com o controle acessível de quem a usa para protestar e sonhar.
A mensagem em uma camiseta quando se multiplica pode arrastar outras mídias atrás dela.
No movimento das “Diretas Já”, na década de 1980, a imprensa que ignorava a voz das ruas teve que se dobrar e noticiar o evento depois que mais de trezentos mil brasileiros em todas as cores e regiões vestiram camisetas com a palavra-de-ordem batendo no peito.
Na campanha das “Diretas Já” ficou clara a sólida a permanente costura das camisetas com os movimentos de massa e sociais.
De dentro para fora
A camiseta demorou a “aparecer” e funcionar como uma politica no corpo.
Suas funções eram executadas nos bastidores.
Servia para proteger o tórax, aquecendo ou preservando do contato com as roupas exteriores, absorver o suor e garantir a vida útil das camisas.
O caráter privado a exilou durante anos da função principal que é a de servir como tela em branco para expressar todos os tons de sonhos ou ideais.
Peça democrática
Camisetas até os anos 1950 eram consideradas “underwear” (roupa de baixo) e não pegava bem aparecer em público com uma peça que era uniforme de trabalhadores braçais suados.
A peça propunha na época uma evidente recusa da maneira tradicional de vestir, com seus colarinhos, gravatas e botões.
Sua popularização significava um “não” incisivo para estas complicações desnecessárias.
Historicamente, personalidades centrais de sistemas autoritários utilizam um vestuário complexo e formal como uma tradução material da necessidade inibidora de controle.
As camisetas libertaram estas “camisas-de-força” ideológicas, porque imprimiram uma imagem igualitária que aproxima as diferenças e tribos.
O rock não errou
O caráter anticonvencional da camiseta como roupa diária e “exposta” iniciou com artistas de cinema e do rock.
Vestidas nos corpos antológicos de Marlon Brando, Elvis Presley  e James Dean – verdadeiros personagens da rebeldia, a peça se emancipou da condição subalterna para emprestar voz e imagem a protestos pessoais.
Desde o inicio a contestação era o seu destino
A camiseta como veiculo de contestação da contracultura ganhou conteúdo a partir dos anos 1960, quando deixou de ser roupa para se tornar um meio de comunicação de massa.
A descoberta das possibilidades da utilização da camiseta como veículo foi espontânea e intuitiva.
Os pioneiros mais remotos a divulgar ideias nas camisetas foram os jovens ativistas ingleses do movimento antinuclear que estamparam a famosa palavra-de-ordem “Ban The Bomb” em suas t-shirts com um símbolo famoso até hoje.
Ao desenvolver meios não apenas visuais, mas teatrais, quase dramáticos ao expressar e divulgar sua mensagem, os movimentos pacifistas das últimas décadas, como os militantes norte-americanos “New Life” foram os principais responsáveis pela instituição da camiseta como media.
Faça Amor, Não Faça a Guerra
De todas as palavras chaves que circularam nos anos 1960, sem dúvida a mais famosa e sugestiva foi a “Make Love, Not War”.
A princípio, um protesto contra a Guerra do Vietnã, as palavras ganharam novos sentidos, amplas conotações, se transformando em mensagem existencial compartilhada por toda uma geração.
Graças a este movimento as camisetas ganharam status e se estabeleceu como parte do figurino de todo mundo.
Vocação libertária
A partir dos anos 1970 as camisetas ganharam uma variedade de causas libertárias com destaque para o ecológico.
A defesa ao meio ambiente tinha tudo a ver com a camiseta pela identificação comum com a natureza.
E como a camiseta é unissex – não têm gênero, virou uniforme das militantes do “Women’s Libertation Front” e dos movimentos “Black Power” e “Gay Power” que mudaram a visão das minorias.
Hoje a camiseta serve para todas as causas e não discriminadamente às mais libertárias, como em outros tempos.
Sua consagração como meio de comunicação de massa acabou sendo reconhecido pelo próprio sistema.
O consumidor mudou, evoluiu, não apenas em seus gostos estéticos, mas também na sua consciência social.
A camiseta fez questão de acompanhar essas transformações e de participar do processo como personagem principal e com diálogo convincente.