Assim como a calça jeans, a camiseta é uma peça de roupa indispensável na vida de quase todo mundo em qualquer lugar do planeta.

E isso vale para pessoas de todas as idades, do bebê ao vovô.

Sem falar do preço acessível, o que a torna ainda mais democrática até do que o próprio jeans.

Mas de onde a camiseta veio, quando surgiu e como foi que ela se tornou assim tão popular?

Tudo começou com a Revolução Industrial, iniciada no século 18 e as máquinas inventadas para a produção de malhas.

A industrialização têxtil no Brasil deu seus primeiros passos em meados do século 19, com a instalação de fábricas nos Estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com destaque para as de algodão

A camiseta é uma peça curinga, que agrada variados gostos e estilos.

Mas afinal de onde surgiu a camiseta? 

Cronologia do sucesso

Antiguidade

No passado a camiseta era usada apenas como roupa íntima.

As chamadas “camisias”, usadas pelos romanos, eram brancas e feitas de puro linho.

Colocadas por baixo das vestimentas dos soldados, elas protegiam o corpo da transpiração.

Século 4 

A camisia continuava a ser usada por baixo das peças em Constantinopla. Os tecidos das peças superiores eram muito ricos, bordados com ouro, prata e pedras preciosas, e por isso não dava para lavar.

A camisia era usada por baixo dessas peças nobres para evitar que sujassem.

1516

O italiano Michelangelo termina a estátua “O Escravo Moribundo”, que retrata um homem vestido apenas com uma peça de roupa: uma camiseta regata.

Século 19

As roupas das crianças começam a ficar mais infantis, em vez de reproduções das dos adultos em miniatura. A camisia era a única vestimenta até os 5 ou 6 anos. Era usada também para batizar as crianças.

Até início do século 20

A camiseta, ainda restrita à Europa, é usada como roupa de baixo, para proteger os homens da transpiração e do frio. Para não rasgar as camisas, os trabalhadores braçais usam só a camiseta para trabalhar.

1ª Guerra Mundial

Soldados europeus usam, por baixo dos uniformes, confortáveis camisetas feitas de algodão.

Os americanos, morrendo de calor em seus uniformes de lã, adoram a novidade e a levam para os Estados Unidos.

O design em formato de T leva a peça a ficar conhecida como T-shirt, em inglês.

2ª Guerra Mundial

A camiseta é peça-chave no uniforme da Marinha e do Exército Americano. Ainda é considerada roupa de baixo, mas o público acostuma-se a ver nas revistas fotos dos soldados com camiseta, sem camisa por cima, ao fazerem trabalhos pesados ou em lugares quentes.

1948

Candidato à presidência dos Estados Unidos, Thomas E. Dewey faz uma das primeiras camisetas de propaganda da história, com os dizeres “Dew it for Dewey”.

1951

Marlon Brando aparece de camiseta no filme “Um Bonde Chamado Desejo”.

A peça é o destaque perfeito para os músculos do ator.

A partir dessa época, a camiseta sem camisa por cima passa a fazer parte da indumentária das pessoas também na vida civil.

1955 

Na trilha aberta por Brando, James Dean aparece de camiseta em Juventude Transviada.

Camiseta vira sinônimo de rebeldia e contestação.

Anos 1960

Na esteira do movimentos anti-guerra e a favor da liberdade, a camiseta veste as cores psicodélicas dos hippies e passa a trazer mensagens pacifistas, na linha de “Faça Amor, Não Faça Guerra”.

Nessa época, as mulheres também passam a usar a peça, que se torna “unissex”.

Anos 1970

As camisetas são usadas tanto como meio de expressão dos anseios da juventude quanto como suporte para propaganda, carregando símbolos de marcasem geral.

Anos 1980

Na década dos yuppies, jovens ligados ao consumismo e ao individualismo, a moda passa a ser ostentação de dinheiro e poder, e a camiseta começa a trazer bem grande as marcas das grifes.

Anos 1990

A falta de ideologia dos jovens da década aparece nas roupas largas e largadas dos grunges.

A camiseta é usada por qualquer segmento da sociedade, sem comprometimento com causas, ideologias ou faixa etária.

Anos 2000

Não existem regras.

A customização é a palavra de ordem.

A camiseta continua democrática e servindo a todos os gostos, desde as campanhas políticas à estampa de filmes e grupos musicais preferidos.

As grandes marcas começam a investir mais nas linhas infantis, e cada vez mais peças voltadas a esse público são produzidas.

Texto escrito por Xico Gonçalves, estilista convidado do Blog.